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Quais
os hábitos de vida do Aedes aegypti?
O
A. aegypti é um mosquito doméstico, vive dentro ou ao redor de
domicílios ou de outras construções freqüentadas por pessoas, como
estabelecimentos comerciais e escolas. Está sempre perto do homem e não
se aventura às matas. Tem hábitos preferencialmente diurnos e
alimenta-se de sangue humano, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer.
Mas, como é oportunista, pode picar à noite.
Que
fatores influenciam a infestação pelo vetor da dengue?
O A. aegypti é
um mosquito antropofílico, isto é, ele vive perto do homem.
Por isso, sua presença
é mais comum em áreas urbanas e a infestação é
mais intensa em regiões
com alta densidade populacional e, principalmente,
de ocupação
desordenada, onde as fêmeas têm mais oportunidades para alimentação
e dispõem de mais locais para desovar. A infestação por
A. aegypti é
sempre mais intensa no verão, em função da elevação da temperatura
e da intensificação de chuvas – fatores que propiciam a
reprodução do
mosquito. Para evitar esta situação, é preciso adotar medidas
permanentes para o controle do vetor, durante todo o ano, a partir de ações
preventivas de eliminação de focos do A. aegypti. Como o
mosquito tem
hábitos domésticos,
essa ação depende sobretudo do empenho da população.
Quais
os principais criadouros do A. aegypti?
Pesquisas realizadas em
campo indicam que os grandes reservatórios, como caixas d’água, galões
e tonéis, são os criadouros que mais produzem A. aegypti e,
portanto, os mais perigosos. Isso não significa que a população possa
descuidar da atenção a pequenos reservatórios, como vasos de plantas,
que comprovadamente atuam como criadouros. O alerta é para que os
cuidados com os reservatórios de maior porte sejam redobrados, pois é
neles que o mosquito seguramente encontra condições para se
desenvolver de ovo a adulto. Em alguns bairros da nossa cidade, estes
grandes criadouros produzem quase que a maioria dos mosquitos adultos.
Como
o mosquito se reproduz?
O
acasalamento do A. ageypti se dá dentro ou ao redor das habitações,
geralmente no início da vida adulta, nos primeiros dias depois que o
mosquito emerge da água do criadouro. A desova acontece em criadouros
com água limpa e parada, onde os ovos depositados são aderidos às
paredes do recipiente, bem próximo à superfície da água, porém não
diretamente sobre o líquido. Daí a importância de lavar, com escova
ou palha de aço, as paredes dos recipientes que não podem ser
eliminados, onde o ovo pode permanecer grudado.
Quantos
ovos uma fêmea do A. aegypti pode pôr?
Uma fêmea pode dar
origem a 1.500 mosquitos durante a sua vida. Os ovos são distribuídos
por diversos criadouros – estratégia que garante a dispersão e
preservação da espécie. Se a fêmea estiver infectada pelo vírus da
dengue quando realizar a postura de ovos, há a possibilidade de as
larvas já nascerem com o vírus – a chamada transmissão vertical.
Quanto
tempo um ovo leva para se transformar em um mosquito adulto capaz de
picar o homem para sugar sangue?
O
ovo, que é escuro e mede aproximadamente 1 mm de comprimento, é
depositado pela fêmea do A. aegypti nas paredes internas dos
criadouros, próximos à superfície d’água. Em condições favoráveis
de umidade e temperatura, o desenvolvimento do embrião é concluído em
48 horas. Um ovo pode resistir até um ano sem eclodir, por isso é
muito importante lavar, com escova e palha de aço, as paredes dos
recipientes que não podem ser eliminados, onde o ovo pode permanecer
grudado.
Do
ovo à forma adulta, o ciclo de vida do A. aegypti varia de
acordo com condições climáticas, a disponibilidade de alimentos e a
quantidade de larvas existentes no mesmo criadouro, uma vez que a
competição de larvas por alimento em um mesmo criadouro com pouca água
consiste em um obstáculo ao amadurecimento do inseto para a fase
adulta. Nas condições típicas de verão, onde a temperatura média é
superior a 25° esse processo geralmente leva um período de oito a doze
dias.
Somente
a fêmea pica o homem para sugar sangue, alimento necessário
produção de ovos. Geralmente, a hematofagia é mais voraz a partir do
segundo ou terceiro dia depois que a fêmea emerge da água do
criadouro. Machos se alimentam de substâncias açucaradas, como néctar
e seiva.
Por
quanto tempo os ovos do A. aegypti podem resistir, sem eclodir?
O
período de maturação dos ovos varia segundo diversos fatores, como o
clima: é concluído mais rapidamente em locais quentes e úmidos. Do
desenvolvimento embrionário à eclosão, os ovos podem resistir a
longos períodos de dessecação – até 450 dias, em média. Esta
resistência é uma grande vantagem para o mosquito, pois permite que os
ovos sobrevivam por muitos meses em ambientes secos, até que chuvas ou
o próximo verão propiciem as condições favoráveis à eclosão. A
resistência permite também que os ovos sejam transportados a grandes
distâncias, em recipientes secos, tornando-se assim o principal meio de
dispersão do inseto – dinâmica conhecida como dispersão passiva.
Esse aspecto importante do ciclo de vida do mosquito demonstra a
necessidade do combate continuado aos criadouros, em todas as estações
do ano.
Existem
cidades
mais vulneráveis à dengue que outras cidades?
O
A. aegypti prefere locais com altos índices de temperatura e
umidade – fatores que além de acelerar o ciclo de vida do mosquito
garantem a sobrevivência dos ovos fora d’água. Sendo assim, as
cidades que estão a nivel do mar como é o caso das capitais dos
estados que margeiam o oceano como o Rio de Janeiro que apresentam
frequentemente índices de 70% a 80% de umidade relativa do ar e
temperaturas superiores a 25ºC. Também por isso a infestação pelo
vetor é sempre mais intensa no verão. Para evitar esta situação é
preciso adotar medidas permanentes para o controle do mosquito, durante
todo o ano, a partir de ações preventivas que objetivem a eliminação
de focos do vetor.
Há
relação entre infestação de dengue e áreas desmatadas?
Os maiores índices de
infestação pelo A. aegypti são registrados em bairros com alta
densidade populacional e baixa cobertura vegetal, onde o mosquito
encontra alvos para alimentação mais facilmente. Outro fator
importante é a falta de infra-estrutura de algumas localidades. Sem
fornecimento regular de água, os moradores precisam armazenar o
suprimento em grandes recipientes, que na maioria das vezes não recebem
os cuidados necessários e, por não serem completamente vedados, acabam
tornando-se focos do mosquito. Os esforços para o controle da proliferação
do mosquito da dengue certamente estão relacionados a medidas do
governo, mas o comprometimento da população em eliminar criadouros domésticos
é fundamental.
Permitida
a reprodução sem fins lucrativos
(Instituto Oswaldo Cruz)
Ω
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Fotos: Genilton Vieira
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O
A.
aegypti é um mosquito doméstico, que vive em
domicílios e construções frequentadas por pessoas
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Imagem do curta-metragem
O
mundo Macro e Micro do Mosquito Aedes aegypti - para combatê-lo
é preciso conhecê-lo.
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