Fauna Sinantrópica - Morcegos

Os morcegos são os únicos mamíferos com capacidade de vôo, devido ä transformação de seus braços em asas.
Pertencem a ordem Chiroptera, (Chiro= mão) transformada em asa (=ptera).
A ordem Chiroptera contém atualmente quase 1000 espécies e representam quase um quarto de toda a fauna de mamíferos do mundo.
Estão distribuídos em 2 subordens:

Megachiroptera

Morcegos de maior porte, conhecidas como raposas voadoras, que podem alcançar até 1,70m de envergadura e 2 Kg de peso. Alimentam-se de partes florais e de frutos.

Microchiroptera

Com ampla distribuição geográfica, inclui 17 famílias, das quais 3 são cosmopolitas. Nove desta subordem ocorrem no Novo Mundo, todas com representantes no Brasil.

Aproximadamente 140 espécies de morcegos têm sua ocorrência registrada no território brasileiro. 

MORFOLOGIA



 

Os microquirópteros são animais pequenos, podendo variar de alguns poucos gramas de peso e de 10 a 80 cm de envergadura.

Seus vôos podem ser crepusculares e/ou noturnos e dependem de um sistema de orientação noturna muito mais eficiente do que a visão dos megaquirópteros.

ECOLOCALIZAÇÃO

Os morcegos saem do seu abrigo ao entardecer ou início da noite. Apesar de voarem no escuro, seus olhos são funcionais, havendo muitas espécies que localizam seu alimento com o auxílio da visão, além do olfato.

Se comunicam e voam orientados por meio de sons de alta-frequência = ecolocalização, emitindo sons que, ao encontrarem um obstáculo, retornam em forma de ecos captados pelos seus ouvidos muito sensíveis, possibilitando sua orientação.

Esse sistema permite que os micro quirópteros explorem diversos tipos de abrigos e alimento.

REPRODUÇÃO

Como todo mamífero, os filhotes de morcegos são gerados dentro do útero de suas mães.
Apresentam uma gestação de 2 a 7 meses,e geralmente 1 filhote por gestação.
O parto ocorre no abrigo, e os filhotes nascem sem pêlos em algumas espécies, ou já com uma pelagem tênue, em outras.
Logo após nascer, algumas mães costumam carregar seus filhotes em vôos de atividade noturna, mas isso aumenta seu peso podem ser deixados nos abrigos diurnos ou transportados até um abrigo noturno mais próximo da área de caça de suas mães.
Nos primeiros meses, os filhotes são alimentados com leite materno,e gradativamente, começam a ingerir o mesmo alimento dos adultos.

Morcego fêmea com 3 filhotes

ALIMENTAÇÃO

Entre os mamíferos, os morcegos representam o grupo mais versátil na exploração dos alimentos, como: frutos, néctar, pólen, partes florais, folhas, insetos, pequenos peixes, anfíbios, lagartos, pássaros, pequenos mamíferos e sangue.

MORCEGOS INSETÍVOROS


Phyllostomus discolor

Ocorrem em quase todo o mundo e compreendem a maior parte das espécies.
Na natureza, apresentam uma função ecológica importante, uma vez que auxiliam no controle de populações de diversos tipos de insetos como besouros, mariposas, percevejos e pernilongos.

MORCEGOS FITÓFAGOS
(nectarívoros e frugívoros)


Glossophaga soricina

São encontrados somente nas regiões tropicais e subtropicais do mundo, onde existam plantas produzindo néctar e/ou frutos, praticamente o ano todo.

Nos ecossistemas naturais, esses morcegos são importantes, pois promovem a polinização das flores e a dispersão de sementes de diversas plantas. Na Amazônia, os morcegos frugívoros são os principais agentes de recuperação das florestas, espalhando sementes AM áreas desmatadas, natural e artificialmente.

Poucas espécies são carnívoras, saem para caçar pequenos vertebrados como peixes, rãs, camundongos, aves e outros morcegos.

MORCEGOS HEMATÓFAGOS

Desmodus rotundus Mordedura em cabra

Compreendem apenas 3 espécies:

Desmodus rotundus, Diaemus youngi e Diphylla ecaudata.

Alimentam-se de sangue de vertebrados endotérmicos (aves e mamíferos).
Na natureza devem atacar jacus, jacutingas, garças, jaburus, capivaras, antas, macacos, veados e outros mamíferos.
Nos ambientes rurais, tendem a explorar qualquer tipo de animais de criação.
Nos ecossistemas naturais, os morcegos hematófagos auxiliam no controle das populações de vertebrados herbívoros, evitando que superpopulações dessas presas destruam a vegetação e, consequentemente, o ecossistema. Esse controle populacional é feito não somente por sangrias dos animais, mas também por transmissão de doenças, como raiva.

ABRIGOS

Os abrigos diurnos são os locais onde os morcegos repousam durante o dia.
Os abrigos devem oferecer condições físicas mínimas que permitam a sobrevivência dos morcegos. Fatores como estabilidade da temperatura ambiente, umidade relativa do ar e a luminosidade, determinam sua ocupação.
Devem oferecer condições que permitam o acasalamento, o parto e a criação dos filhotes, as interações sociais, e a digestão do alimento consumido durante a noite, e ainda proteção contra intempéries ambientais e contra possíveis predadores.

DOENÇAS CAUSADAS POR MORCEGOS

RAIVA

A raiva é uma infecção viral do sistema nervoso central. A infecção resulta em uma inflamação do cérebro e, às vezes, da medula espinhal. Ao se manifestarem os sintomas, a doença é quase sempre fatal.

Mais de 30 mil pessoas por ano morrem por contraírem raiva. A maior porcentagem dessas mortes é devida a contato com cães raivosos. Para haver risco de se contrair raiva é necessário contato da saliva ou do sistema nervoso de um animal raivoso com ferida aberta ou mucosas (olhos, nariz ou boca). O risco de se expor ao vírus sem haver mordida do animal é muito baixo, mas pode acontecer como resultado de contato entre ferida aberta, arranhão ou mucosas e saliva ou tecido nervoso infectados. Pouquíssimos casos da doença em humanos foram atribuídos a inalação de vírus aerossolizado, e em 50% desses casos a exposição ocorreu durante experiências com o vírus em laboratórios de pesquisas. Não existe evidência de transmissão de raiva através de contato com urina ou fezes.

HISTOPLASMOSE

Histoplasmose é uma doença infecciosa respiratória causada pelo fungo Histoplasma capsulatum. Este fungo  ocorre naturalmente no solo e seu crescimento é favorecido por material orgânico como fezes de pássaros ou morcegos, em condições de umidade e calor. Ao se agitar fezes ressecadas desses animais, partículas contendo esporos do fungo espalham-se no ar como poeira. A infecção ocorre quando as pessoas inalam essas partículas. A doença pode ser muito grave se houve inalação de grande quantidade de esporos. Em cavernas onde se alojam  morcegos, as condições de calor e umidade podem levar a grande proliferação do fungo e a inalação de pó nestas áreas deve ser evitada. Pessoas que precisam limpar fezes de pássaros ou de morcegos devem usar máscaras respiratórias capazes de filtrar partículas microscópicas (de até 2 micra de diâmetro)  , para reduzir o risco de exposição. Recomenda-se o uso de máscaras ou lenços úmidos sobre o nariz e a boca sempre que se entrar em locais onde se alojem pássaros ou morcegos.

SALMONELOSE

É uma doença infecciosa causada por microorganismos do gênero Salmonella, bactérias entéricas do homem e de animais. Provocam febre e distúrbios intestinais. A infecção ocorre pela ingestão de alimentos ou pelo uso de objetos contaminados. Um fator de contaminação são as fezes de morcegos. Recomenda-se lavar bem as mãos e cuidar da higiene dos alimentos.

PARASITAS

Pulgas, ácaros, moscas, etc., são tipos de ectoparasitas encontrados em morcegos. A maior parte desses parasitas são associados estreitamente a espécies de morcegos e não conseguem sobreviver em outros animais. Raramente mordem seres humanos ou animais domésticos. Não se conhecem casos de transmissão de doenças por parasitas de morcegos a seres humanos. Os parasitas que possam permanecer mesmo depois que os morcegos tenham abandonado um local, logo morrem sem a presença de seus hospedeiros.

AGRAVOS PARA A SAÚDE

Os morcegos não costumam "atacar" mas  independente do seu hábito alimentar, mordem quando perturbados ou indevidamente manipulados. Se estiverem infectados, podem transmitir a raiva que é uma doença sempre fatal na ausência de pronto atendimento. Portanto, deve-se evitar o contato direto com estes animais.

Cabe ressaltar que os morcegos, ao adquirem a raiva, podem apresentar mudanças em seu comportamento, tais como: atividade alimentar diurna, hiperexcitabilidade, agressividade, tremores, falta de coordenação dos movimentos, contrações musculares e paralisia no caso dos morcegos hematófagos.

Já nos não hematófagos, ocorre paralisia sem agressividade e excitabilidade, sendo encontrados, geralmente, em locais não habituais. Entretanto, é reconhecido que todos os morcegos infectados vêm a óbito.

Podem ser encontrados nos morcegos ou em suas fezes (acumuladas nos abrigos diurnos), vários agentes patogênicos (diferentes tipos de bactérias, fungos e vírus). Os fungos que se desenvolvem nas fezes de aves e morcegos, podem causar doenças respiratórias como a histoplasmose.

MEDIDAS PREVENTIVAS

Priscilla Vieira Diniz

Responsável Laboratório de Animais Sinatrópicos-Osasco

Nunca se deve tocar nos morcegos que eventualmente entrem em casa ou apareçam caídos no jardim, visto que os morcegos, para se defender podem morder. Neste caso, se possível, imobilizar o animal jogando um pano ou caixa de papelão emborcada para baixo, de modo a mantê-lo preso. Em seguida, entrar em contato com este Centro que enviará equipe para buscar o animal e encaminhá-lo para exame laboratorial de raiva e identificação da espécie. Porém, cabe novamente ressaltar que nunca toque diretamente no animal.

A presença de morcegos em edificações, principalmente de insetívoros, pode ocasionar acúmulo de fezes, causando odores desagradáveis e característicos além de causar doenças como as citadas acima. Deve-se, portanto, vedar juntas de dilatação de prédios, espaços existentes entre telhas e parede, bem como cumeeiras; colocar vidros e portas em porões, enfim manter adequadamente esses locais para evitar que sirvam de abrigo para morcegos. Após a vedação, a sujeira existente no local deverá ser umedecida, removida e acondicionada em saco de lixo, por pessoa protegida, com luvas e máscaras ou pano úmido sobre o nariz e boca.

No caso de residências ou ruas muito arborizadas, é comum encontrarmos morcegos frugívoros à procura de alimento, sendo que muitas vezes estes animais dão vôos rasantes em busca de frutos. Deve-se, portanto, colher os frutos maduros ou solicitar ao órgão público competente a poda de levantamento ou a substituição da árvore ou ainda, simplesmente, evitar ficar na sua rota de vôo, pois após o período de frutificação, estes morcegos irão para outros locais.

No caso de ocorrer um acidente onde a pessoa entrou em contato com o morcego, deverá procurar orientação médica imediata nas Unidade realizam tratamento anti-rábico humano.

EVITE

- Tocar em animais estranhos, feridos e doentes. - Perturbar animais quando estiverem comendo, bebendo ou dormindo. - Separar animais que estejam brigando. - Entrar em grutas ou furnas e tocar em qualquer tipo de morcego (vivo ou morto). - Criar animais silvestres ou tirá-los de seu "habitat" natural.

BIBLIOGRAFIA

-BREDT et al. 1996. Morcegos em áreas urbanas e rurais: manual de manejo e controle. Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde Pública, Brasília.
-Manual de Biologia e Controle de Escorpiões. Constâncio de Carvalho Neto- São Paulo/SP: Novartis ,1997.
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www.capital.sp.gov.br
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